Cine-Teatro Louletano

Cruzeiro Seixas - As Cartas do Rei Artur, de Cláudia Rita Oliveira

O Cine-Teatro recebe a realizadora louletana Cláudia Rita Oliveira para a apresentação do seu reconhecido documentário sobre a relação entre Cruzeiro Seixas e Mário Cesariny, estreado no DocLisboa em 2016 e agora no Algarve.

 

Cruzeiro Seixas existe num labirinto onde todos os caminhos levam a Mário Cesariny. Subjugado por esta obsessiva relação, Cruzeiro Seixas não viveu, mas deixou documentos desse não viver: 95 anos de pintura e poesia à espera de um reconhecimento maior ao lado de outros autores surrealistas.

 

As Cartas do Rei Artur, documentário biográfico sobre o artista plástico e poeta Artur do Cruzeiro Seixas, um dos expoentes do movimento surrealista em Portugal, fixa-se na temática da identidade e da orientação sexual, revelando uma personagem ambígua em termos de percurso e até politicamente, eterno refém de uma paixão de juventude: a paixão por Mário Cesariny de Vasconcelos, o maior dos surrealistas portugueses.

 

É a primeira longa-metragem da realizadora, que antes assinou as curtas Kitty & Júlio (2007) e Candidíase (2008), e que trabalha essencialmente como montadora, tendo no seu currículo o documentário José e Pilar (2010), de Miguel Gonçalves Mendes, ou a série da RTP História a História, com Fernando Rosas.

 

“É um filme sobre a condição humana”, resume Cláudia, que pegou no tema por sugestão de Miguel Gonçalves Mendes, com que tem trabalhado na produtora Jump Cut. “Fala da inevitabilidade do desencontro, o que tem a ver com a forma como o Cruzeiro se relaciona com o mundo e especialmente como conviveu com o Cesariny, que até era para não estar no filme. Depois, tornou-se inevitável que estivesse.” Daí o diálogo com o documentário Autografia (2004), de Mendes, em que Cláudia Rita Oliveira foi operadora de câmara.

 

O espetador fica a par da paixão, do corte de relações, do reatar já na velhice. E da mágoa, sugerida pela narrativa, mas não verbalizada por Cruzeiro Seixas. É uma história triste, mas, segundo a realizadora, trata-se do “documentário mais honesto que podia fazer em relação ao Cruzeiro Seixas que conheci”.

Duração: 90 minutos (com debate)

Org.: Câmara Municipal de Loulé / Cine-Teatro Louletano

www.facebook.com/cineteatrolouletano

  • Sala de espetáculos
  • 16:00
  • 3 €
  • M/12