Cine-Teatro Louletano

Ricardo Ribeiro canta José Afonso

24 de abril de 2018

“José Afonso, Zeca Afonso: há nomes, como este, que não precisam de mais apresentações, mesmo na forma mais simples do familiar Zeca que logo nos punha perante a sua imagem. Aparentemente desajeitado, tímido, hesitante, quando pegava na guitarra e soltava a sua voz o mundo como que se transformava. Aquele conjunto formado pelo homem, a guitarra e o canto fazia com que o público se identificasse com as suas palavras. Havia nele qualquer coisa do antigo poeta medieval, pondo nas suas cantigas uma voz que era dele, mas era também de todo um coletivo a cujo sentimento e a cujas esperanças dava corpo. Se já antes do 25 de abril de 1974 as suas cantigas tinham entrado nessa voz comunitária, quando a ‘Grândola’ se ouviu como senha para a revolução dos Cravos ninguém deixou de sentir a forma natural com que isso aconteceu. Zeca Afonso, que vinha do fado de Coimbra, que adaptou o repertório popular, que foi ele próprio um dos grandes poetas de uma cultura de resistência e de unidade, encarnou essa forma de dizer em voz alta o que, antes da revolução, só se podia exprimir quase em segredo, e depois da revolução encarnou o canto de um povo que, apesar de muitas divisões que se foram sucedendo, nas suas canções encontrou uma comunhão perfeita.              

Parece incontestável a sua escolha como forma não apenas de não apagar essa voz inconfundível, mas também para dar a ver – e a ouvir – essa presença que, passado o tempo heróico em que surgiu, tem de ser valorizada na qualidade única do poeta que soube, como poucos, revitalizar a tradição popular e trabalhá-la com invenção e modernidade, e sobretudo do músico que explorou com igual modernidade os acordes do nosso cancioneiro e os levou a todo um povo, para lá de ideologias e de classes, pela simples razão de que, nessa conjugação do músico, do cantor e da interpretação, a Arte superou todas as diferenças.

Viva José Afonso: é o que temos de continuar a fazer.”

 

Nuno Júdice

 

Ricardo Ribeiro: voz / Filipe Raposo: piano, arranjos e direção musical / Mário Delgado guitarras / Ricardo Toscano: saxofone / António Quintino: baixo / Jarrod Cagwin: percussões

 

Uma encomenda (“Carta Branca – 2017”): Centro Cultural de Belém

 

Duração: 90 minutos

Org.: Câmara Municipal de Loulé / Cine-Teatro Louletano

 

www.facebook.com/cineteatrolouletano

  • Sala de espetáculos
  • 21:30
  • 12 € / 10 € para maiores de 65 e menores de 30 anos (Cartão de Amigo aplicável)
  • M/06