Cine-Teatro Louletano

Companhia Olga Roriz | A meio da noite

15 de março de 2019

Revisita o universo de Ingmar Bergman numa celebração do seu nascimento e da sua obra.

A dança, o teatro e o cinema à procura de um outro lugar.

 

A 14 de julho de 1918 nascia Ingmar Bergman. Poucos realizadores conseguiram encontrar profundidade no interior do ser humano. Os seus sonhos cheios de pesadelos foram a base inspiradora de muitos dos seus filmes, nos quais espaço e tempo se desvanecem do real. A impossibilidade de comunicação, a religião e a morte são as temáticas mais obsessivas de Bergman. No entanto, o que é mais importante na vida do realizador é a comunicação que conseguimos com outros seres humanos: sem isso estaríamos mortos. A redenção, por vezes, aparenta ser o amor, mas sempre que as personagens parecem perceber isso, a luz é retirada do ecrã. Apesar de lhe interessar qualquer ser humano, seja homem ou mulher, Bergman não esconde gostar mais de trabalhar com mulheres, afirmando que são melhores atrizes, talvez porque têm uma relação mais aberta com a sua reflexão. A verdade é que as mulheres de Bergman não são um mito, elas existem em todo o seu esplendor e complexidade. As referências são esmagadoras, tanto na quantidade como na dificuldade de análise e interpretação de cada personagem. É nessa visão do realizador que nos iremos inspirar, nesses homens e mulheres assustadoramente reais, na solidão em luta constante com o interior.

 

A meio da noite, sendo um espetáculo que se propõe abordar a temática existencialista do encenador e cineasta Ingmar Bergman, é simultaneamente uma peça sobre o processo de criação numa procura incessante de si próprio e dos outros.

 

Sete intérpretes encontram-se para partilhar as suas pesquisas sobre a obra do realizador e criarem, coletiva ou individualmente, cenas que possam integrar um futuro espetáculo. À volta de uma mesa/ilha fecham-se nos seus pensamentos, mergulhados nos computadores, nos livros, nos vídeos. Tudo nasce desse huis clos de criação: o som, a luz, as imagens, as ações e contradições, dramas, pesadelos e fantasmas. As camadas de representação acumulam-se, criando tramas dramatúrgicas onde se mistura a mentira com a verdade dos factos.

 

A meio da noite é uma profunda homenagem a Ingmar Bergman, aos atores dos seus filmes e aos intérpretes desta Companhia.”

 

Olga Roriz

 

 

Direção: Olga Roriz / Intérpretes: André de Campos, Beatriz Dias, Bruno Alexandre, Bruno Alves, Catarina Câmara, Francisco Rolo, Rita Calçada Bastos / Banda sonora: Johann Sebastian Bach, Erik Satie, Primal Scream, Michelle Gurevich, Franz Schubert, Frédéric Chopin, Piotr Ilitch Tchaikovsky, Dolf van der Linden, Erhard Bauschke, Giovanni Fusco, Jefferson Airplane, excertos sonoros do filme Metropolis (1927) de Fritz Lang, Persona (1966) de Ingmar Bergmar e entrevista a Ingmar Bergman / Seleção musical: Olga Roriz, João Rapozo e intérpretes / Cenografia e figurinos: Olga Roriz e Ana Vaz / Desenho de luz: Cristina Piedade / Vídeo: Olga Roriz e João Rapozo / Desenho de som: Sérgio Milhano / Apoio dramatúrgico: Rita Calçada Bastos / Apoio vocal: João Henriques / Tradução e elocução em Sueco: Birte Lundwall / Assistente de ensaios: Ricardo Domingos / Assistente de cenografia e figurinos: Rita Osório / Fotografia: Alípio Padilha / Montagem gráfica: Paulo Teixeira / Pós-produção áudio e vídeo: João Rapozo / Montagem e operação de luz: João Chicó/ Contrapeso / Montagem e operação de som: Ponto Zurca

 

Companhia Olga Roriz

Direção: Olga Roriz / Produção e digressões: António Quadros Ferro / Gestão: Magda Bull / FOR Dance Theatre e Residências: Lina Santos

 

Duração: 80 minutos

Org.: Câmara Municipal de Loulé/Cine-Teatro Louletano

 

www.facebook.com/cineteatrolouletano

  • Sala de espetáculos
  • 21:30
  • 10 € / 8 € para maiores de 65 e menores de 30 anos (Cartão de Amigo aplicável)
  • M/12